Paralaxismo de Tempo
Estou plenamente convencido que o leitor considerou, pelas respostas que foram dadas, que todas as três ocorrências se passaram no mesmo espaço-tempo; quer dizer, o homem que morreu esmagado estava debaixo da janela do que morreu de ataque, e no preciso momento em que este arremessou com a arca; inferiu, ainda, que o homem que morreu gelado estava dentro da arca que foi atirada janela abaixo; a ligação foi feita, principalmente, desta maneira:
a) as três almas estavam ao mesmo tempo junto de S.Pedro;
b) o homem que morreu esmagado estava debaixo da janela do ofendido;
c) a arca em causa foi a coisa pesada que matou;
d) o homem que morreu gelado, morreu dentro da arca.
O leitor construiu uma história tràgico-cómica com as ligações que foi fazendo, inconscientemente, ao longo da leitura; nenhuma destas inferências pode ser tirada objectivamente do relato, dado que:
a) não existe nenhum tempo marcado na pergunta de S.Pedro, simplesmente se informa que ela foi feita;
b) não nos referimos à primeira alma, à segunda, à terceira, de modo a não estabelecer proximidade; elas foram apresentadas como uma, outra e a outra;
c) o homem que morreu esmagado não especifica a coisa que o esmagou;
d)o facto de estar a limpar a cara e a compôr a roupa não dá direito a outras ilações que não estas: a roupa esta descomposta e a cara estava suja.
Trata-se de um Paralaxismo de Tempo porque há uma óbvia distorção na análise do ambiente que nos rodeia, causado por uma incorrecta percepção temporal mas, mais precisamente, pelo facto de o leitor ter descurado a correcta apreensão do texto; claro que o autor o foi encaminhado nesse sentido e é aqui que, neste caso, bate o ponto:
Devemos estar permanentemente atentos ao que lemos para formarmos um juízo próprio, consciente, e não um juízo induzido ou inculcado por terceiros.


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